Boletim Medusa nº4

Ano 2003

Indice

  • 1. Introdução
  • 2. Actividades realizadas em 2003
  • 3. Expedição aos Pirinéus
  • 4. Expedição a Espanha
  • 5. Gruta da Brita
  • 6. Destruição do Alagar do Escarpão
  • 7. Diversos
  • 8. Artigos de imprensa sobre o C.E.E.A.A.

1. Introdução


É nosso objectivo melhorar cada vez mais o Boletim Medusa, por esse facto queríamos publicá-lo a cores como revista, no entanto a nossa intenção inicial “esbarou” no elevado custo que uma publicação dessa natureza implicaria.

A qualidade de imagem que podíamos apresentar através das fotos a cores traduziria com maior realismo o trabalho desenvolvido pelo CEEAA, mas as verbas a despender com tal publicação colocavam em causa o orçamento do centro para o ano que vem, pelo que suspendemos, por agora, tal objectivo.

A presente edição diz respeito às actividades desenvolvidas durante o ano de 2003.

A edição relativa às actividades de 2004 encontra-se já em preparação, prevemos a sua publicação no final do primeiro semestre do próximo ano.

A elaboração do Boletim Medusa poderá, à primeira vista, parecer fácil de elaborar mas torna-se complicado conjugar as nossas actividades profissionais com as do centro.

A exploração, prospecção e desobstrução de grutas e o trabalho administrativo de recolha de informação, selecção de fotos, elaboração de textos só se conseguem realizar virtude de muita carolice e paixão à espeleologia.

Por esse motivo queremos uma vez mais deixar expresso o nosso agradecimento a todos aqueles que colaboram com o CEEAA, destacando a população de Moncarapacho, a junta de freguesia da Sé de Faro, e as empresas Euroaço e Europontal.


Presidente da direcção

João Varela.



Portugal, Cerro da Cabeça



2. Actividades realizadas em 2003

  • 21-01-2003: Prospecção da Gruta da Nave do Barão perto de Salir.
  • 25-01-2003: Exploração e Sessão fotográfica na Gruta da Nave do Barão.
  • 26-01-2003: Exploração da Gruta da Senhora.
  • 09-02-2003: Exploração do Algar dos Amigos.
  • 15-03-2003: Desobstrução do Algar perto do Bloco Gil Eanes.
  • 16-03-2003: limpeza de lixo no Cerro da Cabeça.
  • 22-03-2003: Actividade com a Junta de Freguesia da Sé. (Abismos Velhos e Os Abismos). Visitas de estudo com jovens das escolas primárias.
  • 23-03-2003: Desobstrução do Algar do Miradouro e Treino na Escarpa.
  • 29-03-2003: Cancelamento da actividade com a Junta de Freguesia da Sé devido a chuva.
  • 30-03-2003: Finalização do folheto da J.F. Sé iniciado no dia anterior.
  • 06-04-2003: Exploração do 1º e 2º Poço do Algar dos 40m.
  • 20-04-2003: Exploração, Equipagem e Topografia do Algar dos 40m.
  • 21-04-2003: Exposição fotográfica do CEEAA no Cerro da Cabeça (Festa do Cerro).
  • 01-05-2003: Exploração da Gruta da Bita.
  • 17,18-05-2003: Participação no EspeleoCongresso 2003 realizado em Alcanena.
  • 29-05-2003: Participação no Maio Jovem. (Visita de estudo a Grutas uma turma da escola de Moncarapacho).
  • 31-05-2003: Treino de Técnicas na Escarpa do Cerro da Cabeça.
  • 22-06-2003: Levantamento das cavidades existentes na base do Cerro. (extensão, possíveis continuações).
  • 28-06-2003: Limpeza do mato do Cerro da Cabeça na zona da escadaria.
  • 29-06-2003: Topografia do Algar do Caldeirão.
  • 02-07-2003: Exploração do 1º Poço do Algar Medusa com o Cuiça (Medição da temp. 27º, colocação de 1 spit).
  • 04-07-2003: Topografia do Algar do Caldeirão.
  • 12-07-2003: Comemoração do 25º Aniversário do CEEAA, exploração do 1º Poço do Algar Medusa.
  • 13-07-2003: Exploração do Algar Medusa -78m (Verificação do estado de Conservação da Gruta).
  • 1 a 3-08-2003: Participação na FAARM.
  • 8 a 11-08-2003: Expedição aos Pirinéus. (Exploração da Sala Verna da Pierre Saint Martin).
  • 23-08-2003: Prospecção de grutas no Cerro da Cabeça. (da base ao Miradouro).
  • 02-09-2003: Prospecção de Grutas no Cerro da Cabeça.
  • 06-09-2003: Elaboração de Inventários: Mon 011 e Mon 16.
  • 07-09-2003: Elaboração de Inventários: Mon 22, Mon 23, Mon, 25, Mon 29. Outra equipa explorou o Algar dos Amigos.
  • 20-09-2003: Prospecção de Grutas no Cerro da Cabeça.
  • 21-09-2003: Elaboração de Inventários: Mon 07 e Mon 08.
  • 4,5,6-10-2003: Expedição a Espanha (Polje de Libar: Pozuelos I -284m).
  • 02-11-2003: Limpeza da casa do CEEAA no Cerro da Cabeça.
  • 15-11-2003: Actividade com os jovens da Junta de Freguesia da Sé (devido a chuva a actividade foi feita na Junta).
  • 14-12-2003: Treino de Técnicas na Escarpa do Cerro da Cabeça. Abertura de uma nova via, só havia uma o que originava demora para vários praticantes.


3. Expedição aos Pirinéus


Objectivo: Explorar a mítica sala Verna da Pierre Saint Martin, uma das maiores salas do mundo.

Participantes: João Varela, Adriano Cristóvão, Pedro Andres, Mário Silva.

Actividade: Conhecemos uns colegas espeleólogos franceses do ARSIP e ficamos instalados na sua casa abrigo (pelo que queremos deixar expresso o nosso agradecimento pela simpatia e acolhimento). Para se visitar a sala Verna é necessário ir a casa do espeleólogo Dominique preencher uns formulários referentes à exploração que se pretende fazer. Os colegas do ARSIP deram-nos a localização da entrada do túnel EDF por onde pretendíamos entrar, pois a entrada tradicional com um poço inicial de 320m encontra-se encerrado devido a constante queda de pedras. Como disponhamos de poucos dias o objectivo era apenas ver a sala Verna e noutra oportunidade aí sim explorar melhor todo o sistema. Para visitar a sala Verna temos de deixar o carro ainda longe da gruta. Depois temos de iniciar uma marcha a pé sempre ascendente, por entre o campo e onde vamos encontrando vestígios da obra do túnel canos, condutas, até chegarmos a uma velha barraca abandonada, que servia de apoio ao trabalho que estava a ser realizado no túnel. Entramos por onde antes existia um portão de ferro por um túnel bem frio com forte corrente de ar, e onde já vamos bem preparados com monos interiores, gorros e luvas


Conclusões:

  • Gruta sem formações, com muitos poços e fraccionamentos.
  • Grande desgaste físico e de material para fazer a exploração.
  • O carro fica estacionado a 200m da entrada do Algar.
  • Toda a gruta está equipada com paraboles e spits, o que facilita em muito futuras explorações.
  • A ficha de equipagem está muito boa e bem elaborada.
  • Uma das cordas mais velhas com 50m foi corta em dois troços de 10m, passando agora a ter 30m.
  • Foi elaborada sessão fotográfica sobre a exploração realizada.
  • Para chegar ao final da gruta foi necessário retirar os mosquetões das enérgicas e de travagem do stop e gasómetros, ficando apenas os estritamente necessários senão não seria possível descer o último poço e o objectivo da exploração não seria concretizado.

Material Utilizado:

  • Cordas: 100m, 80m, 50m, 50m, 30m, 20m.
  • Sacos de material: 1 de 42litros, 2 de 21litros.
  • Mosquetões: 50.
  • Fita para amaracção Natural: 1.
  • Plaquetes: 2.


Pirinéus - Verna, Pierre Saint Martin


Constatamos:

  • Sala Verna é uma sala de grandes dimensões, a sala tem uma cascata de água com grande débito.
  • Na entrada do túnel existe uma casa abandonada, onde antes funcionavam as instalações do EDF.
  • Na entrada da gruta existe uma forte corrente de ar, que quase empurra o espeleólogo para trás.
  • Todo o sistema do túnel tem material abandonado, carris e vagões.
  • Gruta muito húmida, forte corrente de ar até chegar ao interior da sala Verna.
  • O fundo da sala tem muitos blocos soltos.
  • No túnel se não se seguir o caminho da direita, à esquerda há um túnel que leva a uma pequena gruta.
  • Ao chegar à entrada da sala Verna senão se descer a sala, e se continuarmos por um caminho do lado esquerdo ascendente encontramos uma placa que diz Loubens (em homenagem ao espeleólogo falecido nesta gruta). A seguir à uma seta vermelha, passando por cima de uns blocos, chegamos a outra sala grande onde se desenvolve todo o sistema da Pierre Saint Martin.



4. Expedição a Espanha


Objectivo: Explorar o Algar Pozuelo I até aos seus -284m.

O primeiro objectivo era explorar a sima Manuel Perez de -311m de profundidade a 2 mais profunda da Andaluzia atrás da Sima GESM de -1101m. Mas depois de contactarmos o Luís (amigo espeleólogo), este contactou outros espeleólogos amigos e foi-nos dito que a sima Manuel Perez estava encerrada devido a forte presença de dióxido de carbono no seu interior. Depois de uma reunião a nova expedição virou-se para o Pozuelo I sima que fica na mesma área geográfica da sima Manuel Perez 1º objectivo a apenas 300 metros da anterior.

Participantes: João Varela, Adriano Cristóvão, Pedro Andres.

Actividade: Com antecedência reservamos o alojamento na casa abrigo da Federação Andaluza de Espeleologia em Villaluenga del Rosário pacata aldeia com uma bonita vista, rodeada de montanhas. A entrada da cavidade já era conhecida pois já tínhamos descido alguns dos seus poços aquando dos cursos de Iniciação e de Aperfeiçoamento tirados em Espanha por sócios do CEEAA e ministrados pela Federação Andaluza de Espeleologia. No dia 5 de Outubro de 2003 às 11h estávamos no Polje de Libar, organizamos todo o material e por volta das 13h demos inicio à expedição que só terminou no dia 6 ás 09h (duração de 20h).

Ocorrência: Devido à profundidade da gruta -284m fomos obrigados a adquirir mais cordas (1 de 50m e 1 de 30m), vários mosquetões, sacos de material que cada elemento comprou para si.



Espanha - Andalizia, Polje de Libar



5. Gruta da Brita


Esta gruta tem 10 metros de profundidade, a sua entrada é bastante estreita pois está obstruída por um grande bloco de pedra. Ao descer um metro damos com um pequeno patamar, onde se inicia a descida da gruta, já no seu interior esta cavidade tem duas ramificações uma à esquerda e outra em frente, pela entrada que esta em frente da descida, encontramos um pequeno corredor, onde findo este se vê uma fenda na parede a um metro de altura, depois de passado este obstáculo estamos numa sala de grandes dimensões, no meio da sala está cavado no chão um fosso, do qual desconhecemos por completo as suas origens. Passado este fosso existe uma fenda do lado esquerdo, onde temos de avançar utilizando a técnica de rastejar até a uma rampa muito íngreme, pelo que convêm fazer aí uma amarração natural numa estalagmite, que se encontra junto à parede antes da rampa. Antes de avançarmos por esta rampa, já antes passamos por outra que fica alguns metros atrás e que é de menor inclinação. Depois de descida a rampa há um orifício onde o espeleólogo tem de progredir com o corpo em forma de caracol, para poder entrar numa pequena galeria. Uns metros à frente deste orifício acaba esta ramificação. Na ramificação da esquerda temos de rastejar até onde se vê estalactites e estalagmites, e passar entre elas, por uma passagem estreita e difícil, afim de se poder continuar a exploração da cavidade, esta vai desembocar numa elevação com cerca de 5 metros de extensão, findo o corredor encontra-se uma nova passagem com 3 metros de profundidade, onde se anda mais uns quantos metros até onde a cavidade acaba. Para se sair do poço de 3 metros o espeleólogo deve usar a técnica de oposição. Esta gruta é de grande extensão e interesse, pelo que poderá ser usada para cursos de espeleologia.



Portugal - Moncarapacho, Gruta da Brita



6. Destruição do Alagar do Escarpão


No dia 28 de Dezembro de 2003 pelas 16h o CEEAA, constatou a degradação existente no local onde existia antes a entrada do Algar do Escarpão. O CEEAA deslocou-se ao local, para explorar e continuar a elaboração da topografia que tinha ficado adiada há alguns anos, qual não foi o nosso espanto quando verificámos que a entrada já não existia, e no local da mesma encontrou-se toneladas de areia. Um dos Algares mais importante do Algarve e de grande interesse espeleológico, com um rio interior, é tapado sem que as autoridades competentes façam nada para repor a situação anterior. De quem é a responsabilidade? Da Autarquia? da Junta de Freguesia? do Ministério do Ambiente? Que futuro para a nossa região com a destruição do Alagar do Escarpão e de outros locais naturais criticos? Para que serve o Ministério do Ambiente se no terreno os atentados continuam sem que algo se faça? Muitos portugueses deslocam-se ao local no intuito de visitarem a gruta, o facto da entrada se encontrar obstruída impede, obviamente, a entrada e exploração desta. A desobstrução da gruta poderia constituir um factor de atracção atraindo à região mais visitantes os quais permanecendo na zona trariam riqueza para a região envolvente. A situação que presenciámos leva-nos a colocar algumas questões e a apelar a quem de direito para a sua resolução: Será que a areia não foi colocada de propósito com o objectivo de mais tarde se poder urbanizar uma zona que devia estar protegida em termos ambientais? Como é possível na nossa região se cometer um crime ambiental e paisagístico ficando os infractores impunes? O que fazer? Deixar a situação como está?


Localização: Cerro do Ouro - concelho de Albufeira, freguesia de Paderne.


No Alagar do Escarpão existe um lençol freático activo.



7. Diversos


  • O centro já tem um CD com o registo fotográfico sobre as actividades de 2003. Contêm a expedição a Espanha, expedição aos Pirinéus, trabalhos de desobstrução e outras actividades.
  • O email do centro é ceeaalgarve@hotmail.com
  • Pedimos também que aquando da festa do Cerro da Cabeça que todos os participantes levem de volta o lixo, não o abandonem no Cerro. No dia a seguir encontram se detritos em toda a zona do Cerro e até no interior das grutas, pessoas que atiram garrafas, latas e outros desperdícios. O Ambiente é de todos por isso compete a todos ajudar a preserva-lo.
  • Contacto do Centro 965 131 285 - João Varela.


8. Artigos de imprensa sobre o C.E.E.A.A.


  • JORNAL DO ALGARVE DE 6 DE NOVEMBRO DE 2003 PAG. 14
  • JORNAL DIÁRIO DE NOTICIAS DE 11 DE DEZEMBRO DE 2003 PAG 24
  • JORNAL OLHANENSE DE 1 DE DEZEMBRO DE 2003 PAG.7
  • JORNAL CORREIO DA MANHA DE 14 DE OUTUBRO DE 2003 PAG 9
  • JORNAL O PUBLICO DE 20 DE MARÇO DE 2004 PAG. 62
  • REVISTA ANDALUZIA SUBTERRANEA N 13 1999 PAG 46 A55
  • REVISTA DA SPE O ALGAR Nº1 DE 1987 PAG. 9 A 16
  • REVISTA FORUM AMBIENTE Nº70 DE 2001 PAG. 81 A 86